São tempos difíceis para os professores

*Texto publicado originalmente em 04/2016
No Rio Grande do Sul, as escolas públicas municipais e estaduais sofrem com os desmandos financeiros que culminam no corte de gastos e refletem no parcelamento dos salários dos profissionais da educação, no atraso ou não pagamento de verbas que deveriam ser destinadas ao transporte escolar e à compra de materiais e equipamentos para as escolas e no sucateamento físico das instituições de ensino.
No país, a situação precária do ensino é generalizada. Em São Paulo, por exemplo, estudantes secundaristas ocuparam as escolas e fizeram diversas manifestações no segundo semestre de 2015, contra o fechamento de quase 100 instituições públicas de ensino.
No Rio de Janeiro, professores da rede estadual de ensino estão atualmente em greve por tempo indeterminado. Já são 8 instituições de ensino ocupadas por estudantes em apoio à greve dos professores cariocas.
Mas afinal, por que um país que usa o slogan “pátria educadora”, enfrenta atualmente tantos problemas neste setor?
A história das greves no âmbito do ensino público nos mostra que em diversos países, a precarização do sistema educacional representada pela falta de investimentos e do completo abandono das instituições escolares é fruto, principalmente, do desejo de retirar do Estado o compromisso com este setor, passando a responsabilidade da educação para o setor privado.
A receita é básica e segue uma lógica: o Estado deixa de cumprir seu papel levando ao esgotamento de todas as possibilidades de melhoria no ensino e a sociedade e os agentes envolvidos diretamente no âmbito educacional, são convencidos de que a privatização das instituições de ensino é a melhor solução para que haja uma melhora significativa e qualitativa no setor.
Essa é a lógica do mercado.
Na verdade, muitas instituições já estão se adaptando a este novo modelo de Educação. Testes avaliativos precisam ter resultados positivos e metas precisam ser cumpridas, para que os recursos provenientes de investidores privados não deixem de ser repassados. A Educação como mercadoria é a melhor definição para o novo modelo de ensino que se propõe.
A terceirização dos profissionais da educação, representada pelo alto número de contratações na área, é outro reflexo da completa mercantilização do ensino. Professores que, por falta de oportunidade representada pela legalidade de seleções públicas, aceitam trabalhar em regime de contrato, sem nenhuma garantia de seus direitos que, se quer, são respeitados com relação aos profissionais estáveis.
Os estudantes, por sua vez, dentro dessa perspectiva são vistos como capital humano. Deverão preencher os requisitos básicos para servirem de mão de obra mercantil especializada ao setor privado, principal interessado e, por isso, principal investidor nas políticas e negociatas para a desestruturação do ensino público e gratuito. E o emburrecimento das massas.
E a sociedade, onde fica nessa história?
Bem, a sociedade, ou a maioria dela, reivindica aos governos, entre outras coisas, maiores investimentos na Educação. Mas onde está a população quando professores e alunos estão nas ruas, lutando por seus direitos, por uma educação pública e de qualidade? Volto a afirmar: estão todos ocupados demais. E quem se importa, não é mesmo?
A resposta para todo esse descaso? Talvez esteja na própria palavra:
EducAÇÃO!


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