Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça!
*Texto publicado originalmente em 04/2016

Em abril, relembramos o 52º “aniversário” do golpe militar que instaurou o regime ditatorial no Brasil. Naquela ocasião, as elites se viam ameaçadas pelas reformas de base planejadas pelo presidente João Goulart. Uma crise econômica acompanhada de forte instabilidade política também contextualizava o período pré-golpe.
O estopim para o golpe militar em 1964 teria sido o discurso de Jango, em março de 1964, em que determinava a reforma agrária e a estatização das refinarias estrangeiras de petróleo. Diante disso, setores conservadores da política, igreja católica, imprensa e classe média, movidos pela propaganda inflamada dos grandes empresários e pelo apelo dos interesses econômicos e políticos estadunidenses, saíram às ruas com o intuito de derrubar o governo de Jango.
Naquele mesmo mês, os militares iniciaram a tomada do poder e Jango foi se exilar no Uruguai. Em 9 de abril, com o governo já nas mãos dos militares, foi decretado o Ato Institucional número 1, depondo definitivamente Jango e prevendo cassações de mandatos políticos por todo o país.
Estava instaurado o período mais sombrio da história política do nosso país.
Em 1965, o Ato Institucional número 2, extinguia todos os 13 partidos políticos que existiam no Brasil. Complementar ao AI 2, um artigo posterior previa a criação de organizações entre os membros do Congresso Nacional, com atribuições de partidos políticos. Pelas restrições da lei, formaram-se a ARENA (Aliança Renovador Nacional) que era formada por apoiadores dos militares e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que deveria fazer oposição ao regime.
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Lista de mortos e desaparecidos gaúchos, de 1964 a 1968:
- ONOFRE ILHA DORNELLES:
Filiação: Celina Cândida Dornelles e Vicente de Paula Dornelles
Data e local de nascimento: 21/7/1918, São Pedro do Sul (RS)
Atuação profissional: ferroviário
Organização política: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Data e local de morte: 28/12/1964, Santa Maria (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p.186)
- ELVARISTO ALVES DA SILVA:
Filiação: Julieta Alves da Silva e Francisco Alves Dias
Data e local de nascimento: 28/12/1923, Ibirama (RS)
Atuação profissional: Agricultor
Organização política: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Data e local de morte: 10/4/1965, Santa Rosa (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos 1950-1969, p. 189)
- LEOPOLDO CHIAPETTI:
Filiação: Serena Pianta Chiapetti e Giacomo Chiapetti
Data e local de nascimento: 17/6/1906, Garibaldi (RS)
Atuação profissional: agricultor
Organização política: Grupo dos Onze
Data e local de morte: 21/5/1965, Erechim (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 192)
- DARCY JOSÉ DOS SANTOS MARIANTE:
Filiação: Maria Cândida dos Santos Mariante e Theotonio Mariante Filho
Data e local de nascimento: 29/11/1928, Caxias do Sul (RS)
Atuação profissional: militar
Organização política: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Grupo dos Onze
Data e local de morte: 8/4/1966, Porto Alegre (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 198)
- MANOEL RAIMUNDO SOARES:
Filiação:Etelvina Soares dos Santos
Data e local de nascimento:15/3/1936, Belém (PA)
Atuação profissional:militar
Organização política: Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26)
Data e local de morte: entre 13 e 20/8/1966, Porto Alegre (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 205)
- MILTON SOARES DE CASTRO:
Filiação: Universina Soares de Castro e Marcírio Palmeira de Castro
Data e local de nascimento: 23/6/1940, Santa Maria (RS)
Atuação profissional: Metalúrgico
Organização política: Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR)
Data e local da morte: 28/4/1967, Juiz de Fora (MG)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, 212)
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A ARENA elegeu Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Os presidentes linha dura do Regime Militar.
Em 1968, durante o governo de Costa e Silva, este baixou o Ato Institucional número 5, dando plenos poderes ao presidente, suspendendo garantias constitucionais e fechando o Congresso Nacional. A partir daí, todas as medidas defendidas pelos militares poderiam ser tomadas. Durante o AI 5, foram praticadas uma série de medidas antidemocráticas e cerceadoras das liberdades civis. A perseguição e morte estava garantida aos opositores do Regime.
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Lista de mortos e desaparecidos gaúchos, de 1969 a 1988:
- IGUATEMI ZUCHI TEIXEIRA:
Filiação: Ernesta Zuchi Teixeira e Vivaldino do Amaral Teixeira
Data e local de nascimento: 6/2/1944, Marcelino Ramos (RS)
Atuação profissional: comerciante
Organização política: não se aplica
Data e local de morte: 3/7/1968, Francisco Beltrão (PR)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 241)
- AVELMAR MOREIRA DE BARROS:
Filiação: Vergilina Moreira de Barros e Avelmar de Barros
Data e local de nascimento: 11/3/1917, Viamão (RS)
Atuação profissional: agricultor
Organização política: Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), Marx, Mao, Marighella e Guevara (M3G)
Data e local de morte: 24/3/1970, Porto Alegre (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 408)
- ÂNGELO CARDOSO DA SILVA:
Filiação: Celanira Machado Cardoso e João Cardoso da Silva
Data e local de nascimento: 27/10/1943, Santo Antônio da Patrulha (RS)
Atuação profissional: taxista
Organização política: Marx, Mao, Marighella, Guevara (M3G)
Data e local de morte: 23/4/1970, Porto Alegre (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 429)
- ALCERI MARIA GOMES DA SILVA:
Filiação: Odila Gomes da Silva e Oscar Tomaz da Silva
Data e local de nascimento: 25/5/1943, Cachoeira do Sul (RS)
Atuação profissional: operária metalúrgica
Organização política: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)
Data e local de desaparecimento: 17/5/1970, São Paulo (SP)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 446)
- SILVANO SOARES DOS SANTOS:
Filiação: Malvina Soares dos Santos e Antônio Vieira dos Santos
Data e local de nascimento: 15/8/1929, Três Passos (RS)
Atuação profissional: agricultor
Organização política: Movimento Revolucionário 26 de março de 1965 (MR-26) ou Guerrilha de Três Passos ou Grupo dos Onze
Data e local de morte: 25/6/1970, Humaitá (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 457)
- LUIZ RENATO PIRES DE ALMEIDA:
Filiação: Maria Conceição (Doca) Pires de Almeida e Lucrécio de Almeida
Data e local de nascimento: 18/11/1944, Formigueiro, São Sepé (RS)
Atuação profissional: estudante
Organização política: Ejército de Libertación Nacional (ELN)
Data e local de desaparecimento: 2/10/1970, Yaycurá, Bolívia
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 474)
- ARY ABREU LIMA DA ROSA:
Filiação: Maria Corina Abreu Lima da Rosa e Arcy Cattani da Rosa
Data e local de nascimento: 28/5/1949, Porto Alegre (RS)
Atuação profissional: estudante universitário
Organização política: não se aplica
Data e local de morte: 28/10/1970, Canoas (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 486)
- CELSO GLBERTO DE OLIVEIRA:
Filiação: Julieta Pedroso de Oliveira e João Adelino de Oliveira
Data e local de nascimento: 26/6/1945, Porto Alegre (RS)
Atuação profissional: corretor de imóveis
Organização política: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)
Data e local de desaparecimento: 30/12/1970, Rio de Janeiro (RJ)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 505)
- NILTON ROSA DA SILVA:
Filiação: Iraci Rosa da Silva e Adão Alves da Silva
Data e local de nascimento: 2/2/1949, Cachoeira do Sul (RS)
Atuação profissional: estudante
Organização política: Movimento de Izquierda Revolucionária (MIR)
Data e local de morte: 15/6/1973, Santiago (Chile)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.248)
- SÔNIA MARIA DE MORAES ANGEL JONES:
Filiação: Cléa Lopes de Moraes e João Luiz de Moraes
Data e local de nascimento: 9/11/1946, Santiago do Boqueirão (RS)
Atuação profissional: professora, fotógrafa e estudante universitária
Organização política: Ação Libertadora Nacional (ALN)
Data e local da morte: 30/11/1973, São Paulo (SP)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1427)
- JOAQUIM PIRES CERVEIRA:
Filiação: Auricela Goulart Cerveira e Marcelo Pires Cerveira.
Data e local de nascimento: 14/12/1923,Pelotas, Rio Grande do Sul.
Atuação profissional: major do Exército.
Organização política: FLN (Frente de Libertação Nacional).
Data e local de desaparecimento: 5/12/1973, Buenos Aires, Argentina.
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.458)
- PAULO MENDES RODRIGUES:
Filiação: Otília Mendes Rodrigues e Francisco Alves Rodrigues
Data e local de nascimento: 25/9/1931, Cruz Alta (RS)
Atuação profissional: economista
Organização política: Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Data e local do desaparecimento: 25/12/1973, cinco ou seis quilômetros da Base do Mano Ferreira, próximo à Palestina (PA).
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1481)
- JOSÉ HUBERTO BRONCA:
Filiação: Ermerlinda Mazzaferro Bronca e Huberto Atheo Bronca
Data e local de nascimento: 8/9/1934, Porto Alegre (RS)
Atuação profissional: operário
Organização política: Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Data e local de desaparecimento: 25/12/1973 ou13/3/1974 ou 13/5/1974, a cinco ou seis quilômetros da Base do Mano Ferreira, próximo à Palestina (PA) ou Área da Formiga–Brejo Grande do Araguaia (PA)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.557)
- CILON CUNHA BRUM:
Filiação: Eloah Cunha Brum e Lino Cunha Brum
Data e local de nascimento: 3/2/1943, em São Sepé (RS)
Atuação profissional: estudante
Organização política: Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Data e local de desaparecimento: 27/2/1974, Xambioá (TO)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.608)
- ZELMO BOSA:
Filiação: Helena Bosa e Eduardo Bosa
Data e local de nascimento: 26/7/1937, Ronda Alta (RS)
Atuação profissional: agricultor
Organização política: Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB), Grupo dos Onze
Data e local de desapareci mento: 1976, Rio Grande do Sul (RS)
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.895)
- MANOEL CUSTÓDIO MARTINS:
Filiação: Hercília Reis Martins e Heleodoro Custódio Martins
Data e local de nascimento : 22/5/1934, Rio Grande (RS)
Atuação profissional: professor de francês
Organização política: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Data e local da morte: 7/2/1978, em Santiago do Chile
(Relatório da CNV, Mortos e Desaparecidos, p. 1.909)
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Agora vamos para os depoimentos de alguns torturados?
Primeiro, o depoimento de um militar opositor ao Regime, o Coronel Vicente Sylvestre:
“Me tiraram toda a roupa e me deram um macacão do Exército. Dois indivíduos, altamente agressivos no linguajar deles me colocaram um capuz e me levaram para o famigerado DOI-CODI. (...) Quando comecei a conversar, sempre encapuzado. Por que o capitalismo... e, quando falei em capitalismo me deram o chamado telefone. Um tapão assim, toda a força. Aí eu vi, aqui não tem diálogo. (...) Quando eu estou achando tudo resolvido, me fizeram tirar toda a roupa, fiquei completamente nu, me penduraram no pau de arara. Então disseram, agora vamos fazer o que vocês fazem com vagabundo na delegacia. E foi uma pancadaria... Eu sei que, tinha um rádio ligado muito alto e em dado momento o locutor anunciou o horário, eram 18h15, 18h30. E, pendurado no pau de arara, depois na cadeira do dragão, sempre nu. Amarrado numa cadeira metálica e com conjunto das mãos... choque com aquela maquininha que davam descarga de choque. Nessa altura, já prestei atenção naquele desespero, naquela coisa, prestei atenção no horário e deu meia noite e dez. Então estava mais de 6 horas nessa sala de tortura. (...)” (Relatório da CNV, parte II, p.44)
Agora, o depoimento de Anivaldo Pereira Padilha, um torturado religioso, membro da Igreja Metodista na Luz, diretor do Departamento de Mocidade da Junta Geral de Educação Cristã da Igreja Metodista, redator da revista da juventude metodista “Cruz de Malta”, secretário-executivo da União Brasileira de Juventude Ecumênica (Ubraje), e secretário regional para o Brasil da União Latino-Americana de Juventude Evangélica (ULAJE) de SP:
“Ao chegarmos à Oban (...) assim que a porta se fechou, recebi um soco no estômago, com tal violência, que caí e fiquei alguns segundos sem poder respirar. Começaram, então, a aplicar em mim o “telefone”, método de tortura que consiste em golpear os ouvidos da vítima com as duas mãos ao mesmo tempo, em formato côncavo. Os golpes foram repetidos várias vezes, seguidos de gritos para que eu confessasse ser membro de uma organização clandestina e que revelasse os nomes e endereços de todos os meus amigos. (...) Tinha a impressão de que minha língua ia rachar ou que minhas mucosas estavam se esfacelando. Pedi água e o carcereiro me respondeu: “Não tenho autorização para dar água a presos que voltam do interrogatório. Beber água logo depois de levar choques pode matar”.” (Relatório da CNV, parte II, p. 180)
Também sobrou tortura pros índios. Bonifacio R. Duarte Guarani-Kaiowá relata ter sofrido tortura no Reformatório Krenak, instalado pelo governo militar para “corrigir” os índios desajustados:
“Amarravam a gente no tronco, muito apertado. Quando eu caía no sorteio prá ir apanhar, passava uma erva no corpo, prá aguentar mais. Tinha outros que eles amarravam com corda de cabeça prá baixo. A gente acordava e via aquela pessoa morta que não aguentava ficar amarrada daquele jeito. (Prá não receber o castigo...) a gente tinha que fazer o serviço bem rápido. Depois de seis meses lá, chegou o Teodoro, o pai e a mãe dele presos. A gente tinha medo. Os outros apanharam mais pesado que eu. Derrubavam no chão.” (Relatório da CNV, parte II, p. 244)
As grávidas também não escapavam! Criméia Alice Schmidt de Almeida relata:
“Pela manhã, o próprio comandante major Carlos Alberto Brilhante Ustra foi retirar-me da cela e ali mesmo começou a torturar-me [...]. Espancamentos, principalmente no rosto e na cabeça, choques elétricos nos pés e nas mãos, murros na cabeça quando eu descia as escadas encapuzada, que provocavam dores horríveis na coluna e nos calcanhares, palmatória de madeira nos pés e nas mãos. Por recomendação de um torturador que se dizia médico, não deviam ser feitos espancamentos no abdômen e choque elétricos somente nas extremidades dos pés e das mãos.” (Relatório da CNV, parte I, p. 368)
E as mulheres que recém haviam dado à luz também passavam por humilhação. Rose Nogueira contou:
“Eles diziam: “Onde já se viu! Acabou de parir e tem esse corpo! É porque é uma vaca terrorista”. [...] Aí começaram a me chamar de Miss Brasil, porque tinha uma vaca de verdade, leiteira, que ganhou um prêmio [...] Uma vaca chamada Miss Brasil, a vaca ganhou um prêmio. Um daqueles caras, o Tralli, trouxe um jornal que mostrava a vaca e rasgava o jornal e passava em mim. Outra coisa é que eles me tiravam a roupa [...] tinha uma escrivaninha e eles me debruçavam nua com o bumbum para cima e eles ficavam enfiando a mão. Penetração, não tive [...]. Ele me beliscou inteira, esse Tralli. Ele era tarado” (Relatório da CNV, parte I, p. 404)
E as crianças? Bem...
Conta Eleonora Menicucci:
“Um dia, eles me levaram para um lugar que hoje eu localizo como sendo a sede do Exército, no Ibirapuera. Lá estava a minha filha de um ano e dez meses, só de fralda, no frio. Eles a colocaram na minha frente, gritando, chorando, e ameaçavam dar choque nela. O torturador era o Mangabeira [codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta] e, junto dele, tinha uma criança de três anos que ele dizia ser sua filha. Só depois, quando fui levada para o presídio Tiradentes, eu vim a saber que eles entregaram minha filha para a minha cunhada, que a levou para a minha mãe, em Belo Horizonte. Até depois de sair da cadeia, quase três anos depois, eu convivi com o medo de que a minha filha fosse pega. Até que eu cumprisse a minha pena, eu não tinha segurança de que a Maria estava salva. Hoje, na minha compreensão feminista, eu entendo que eles torturavam as crianças na frente das mulheres achando que nos desmontaríamos por causa da maternidade.” (Relatório da CNV, parte I, p. 408)
Conta Maria Amélia de Almeida Teles:
“Tive os meus filhos sequestrados e levados para sala de tortura, na Operação Bandeirante. A Janaina com cinco anos e o Edson, com quatro anos de idade. [...] Inclusive, eu sofri uma violência, ou várias violências sexuais. Toda nossa tortura era feita [com] as mulheres nuas. Os homens também. Os homens também ficavam nus, com vários homens dentro da sala, levando choques pelo corpo todo. Inclusive na vagina, no ânus, nos mamilos, nos ouvidos. E os meus filhos me viram dessa forma. Eu urinada, com fezes. Enfim, o meu filho chegou para mim e disse: “Mãe, por que você ficou azul e o pai ficou verde?”. O pai estava saindo do estado de coma e eu estava azul de tanto... Aí que eu me dei conta: de tantos hematomas no corpo.” (Relatório da CNV, parte I, p. 410)
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Entre tantos depoimentos de torturados do Regime Militar brasileiro, é impossível que a sociedade se esqueça do que significa lutar pela garantia dos direitos e da liberdade. A lenta abertura democrática do país ao final dos anos 80 nos trouxe um novo sopro de esperança para a construção de um país livre, justo e sem repressão, mortes e perseguição política. Um país onde as garantias constitucionais e os direitos dos cidadãos sejam respeitados e assegurados.
Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça, a Comissão Nacional da Verdade disponibiliza em três edições toda a história com fontes, relatos e dados, sobre esse período sombrio do passado recente do nosso país. Aos interessados em saber um pouco mais sobre, é só entrar no site e fazer o download dos relatórios.
Tarefa:
Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça, vou deixar o dever de casa para os leitores: pesquisem sobre a ARENA. Pesquisem sobre o que a Aliança Renovadora Nacional se transformou ao final da Ditadura.
Referências:
BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório / Comissão Nacional da Verdade. – Recurso eletrônico. – Brasília: CNV, 2014. 976 p. – (Relatório da Comissão Nacional da Verdade; v. 1)
_________________________________. Relatório: textos temáticos / Comissão Nacional da Verdade. – Brasília: CNV, 2014. 416 p. – (Relatório da Comissão Nacional da Verdade; v. 2)
_________________________________. Mortos e desaparecidos políticos / Comissão Nacional da Verdade. – Brasília: CNV, 2014. 1996 p. – (Relatório da Comissão Nacional da Verdade; v. 3)
[Imagem: Montagem feita com imagens de mortos e desaparecidos gaúchos. Imagens disponíveis no Google Imagens]

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